Formação de 12 horas
Laura Perls
territórios, trajetórias e travessias
Laura Perls (Pforzheim, 1905; Pforzheim, 1990), fundadora da Gestalt-terapia.
Vanessa dos Santos Silva Brito
Abertura
Quem quer o quê de mim?
Vamos experienciar?
Em 1978, Laura abriu seu primeiro grupo em Cleveland com uma única pergunta: “Quem quer o quê de mim?” (Castanedo, 2004, p. 13).
Percebam como estão sentados agora: pés, coluna, distância da tela, respiração.
“Se ao chegar já sabemos o que esperamos que aconteça, acabaremos decepcionados. É nossa forma de impedir que experimentemos o que realmente acontece.”
L. Perls, 1992/2004, p. 207
Abertura
Vamos refletir... Era uma vez
Ariel quer pertencer a um mundo que não foi feito para ela e, para isso, entrega a voz.
A voz não é arrancada: é entregue com algo naturalizado. O silêncio pode ser o preço cobrado na entrada.
O “mundo das pernas” é o mundo reconhecido, validado e visível, estruturado historicamente por uma lógica masculina de poder.
A estrutura não precisa de vilão para funcionar: basta naturalização e repetição.
Crenças/ Introjetos
Em casa: a menina é “mandona”; o menino, “líder nato”. A ideia da mulher só é ouvida quando o marido a repete.
No trabalho: provar duas vezes mais; ser interrompida e sorrir; um teto feito de expectativas não ditas.
Nas relações afetivas: diminuir a própria inteligência, calar o que se pensa e se quer, ouvir que é “dramática” ao pedir cuidado.
Não é exceção: é roteiro, tão antigo que às vezes o confundimos com natureza.
Abertura
Presente demais para ser negada, invisível demais para ser reconhecida
Laura Perls
Laura Perls
Laura Perls foi fundadora da Gestalt-terapia: pensou junto, construiu junto, formou junto. Ainda assim, quando se pergunta quem fundou a abordagem, o nome que vem é Fritz.
Laura está nos textos, nas cartas, nas entrevistas, mas raramente é reconhecida como pensadora, pesquisadora e teórica.
Re-parar (Diniz & Gebara, 2022): olhar de novo, com cuidado, e reparar.
Não se trata de apagamento total, mas de encapsulamento, invisibilização e epistemicídio (Carneiro, 2005).
A estrutura patriarcal age pela repetição, pela omissão e pela escolha de quem aparece na capa e de quem fica no rodapé.
“Quando lhe pediam que comparasse seu estilo de trabalho terapêutico com o de Fritz, seu rosto se transformava [...] a uma mulher dura que respondia: ‘Não gosto da sua pergunta e não vou respondê-la’.”
Castanedo, 2004, p. 10
01
Parte I
Territórios
Pforzheim → Frankfurt → Berlim → Holanda → Joanesburgo → Nova York
Pforzheim
1905 
Frankfurt
 
Berlim
1930 
Holanda
1933 
Joanesburgo
1934 
Nova York
1947 
slides 6 a 18
Parte I · Territórios
Origens: família, nome, música e dança
Pforzheim · 1905
15 de agosto de 1905: nasce Lore Posner, em Pforzheim, sudoeste da Alemanha.
Primogênita de Rudolf e Toni Posner; irmãos Robert e Lisel. Família judia, alemã, de classe média alta, amorosa e protetora.
“Laura” é o nome adotado nos Estados Unidos; “Perls”, o sobrenome do marido.
Aos dois ou três anos, descia ao negócio da família para “ajudar”; essa “vocação” foi interrompida quando nasceu o irmão.
Piano aos cinco anos, com a mãe; entre os 12 e os 14 anos, já tocava melhor que ela.
Dança desde os oito anos; escolas de ritmo e dança moderna ao longo de toda a vida.
“A música foi o mais importante. Minha mãe tocava muito bem, e eu a ouvia desde o berço. Comecei a tocar aos cinco anos.”
L. Perls, 1992/2004, p. 43
“Está ligado ao trabalho corporal que eu fazia desde o início. [...] penso que são um dos suportes essenciais.”
L. Perls, 1992/2004, p. 43
Parte I · Territórios
Escola, línguas e o sanatório
Pforzheim
Aos 12 anos, Laura foi a primeira mulher, e a primeira judia, a estudar num ginásio até então exclusivamente masculino.
Esforçava-se para nunca ser a primeira da turma: um ajustamento criativo para não se tornar alvo.
Estudou grego, latim, francês e literatura alemã; escreveu histórias e poemas.
Aos 16 anos, apaixonou-se por um homem mais velho e foi internada pelos pais num sanatório por alguns meses.
Se fosse o irmão, o desfecho seria o mesmo? O dispositivo médico-psiquiátrico patologizou comportamentos femininos que desafiavam as convenções.
“O que aprendi na escola foi apenas o ponto de partida para seguir por muitos caminhos, para ler sobre muitos temas.”
L. Perls, 1992/2004, p. 59
Parte I · Territórios
Frankfurt: do Direito à Psicologia da Gestalt
Frankfurt
Universidade de Frankfurt, “a mais vanguardista da Alemanha, e talvez da Europa” (Perls, 1992/2004, p. 42).
Primeiro, Direito e Economia: consciência política e desejo de fazer algo socialmente útil.
A Psicologia da Gestalt a fez mudar de curso: Adhémar Gelb, Max Wertheimer e Kurt Goldstein.
Com Goldstein, anos de estudo e trabalho experimental com lesionados neurológicos de guerra; a teoria organísmica se tornaria base da Gestalt-terapia.
Tese de doutorado orientada por Gelb, interrompida para casar e ter a filha, concluída em 1932, pouco antes da fuga (p. 233).
“Fui uma das primeiras mulheres a ingressar na faculdade de Direito. Mas eu estava interessada, realmente motivada, pelos aspectos psicológicos dos meus estudos. Então mudei.”
L. Perls, 1992/2004, p. 42
“Entrei diretamente pela Psicologia da Gestalt. Foi o que me fez deixar Direito e Economia.”
L. Perls, 1992/2004, p. 54
Parte I · Territórios
Filosofia e psicanálise
Frankfurt
Martin Buber e Paul Tillich: falar com as pessoas, e não sobre temas.
Fenomenologia de Husserl, existencialismo de Heidegger e Max Scheler: o método fenomenológico chegou à Gestalt-terapia principalmente pela formação filosófica de Laura (Masquelier-Savatier, 2025).
Psicanálise com Clara Happel e, depois, com Carl Landauer, amigo de Ferenczi e Groddeck (p. 55).
Ao casar, Laura era pianista, dançarina, doutora em Psicologia, com estudos de línguas, literatura e filosofia: uma formação muito mais ampla que a do marido.
“Ao ouvi-los, Tillich ou Buber, você sentia que falavam diretamente com você, e não apenas sobre alguma coisa. O tipo de contato que estabeleciam era essencial para suas teorias.”
L. Perls, 1992/2004, p. 59
“Entrei no assunto da psicanálise porque queria entender o jargão que ele e outro amigo sempre usavam [...]. Analisavam sem parar todos ao redor, e isso me incluía. E eu queria participar.”
L. Perls, 1992/2004, p. 55
Parte I · Territórios
Fritz, Berlim e a pesquisa que nasce da amamentação
Berlim · 1926–1936
Outubro de 1926: Laura, aos 21 anos, conhece Fritz num seminário de Goldstein e Gelb. Ela era aluna de Goldstein havia anos; ele, assistente havia alguns meses.
1930: casamento contra a vontade da família de Laura; mudança para Berlim e convívio com o círculo Bauhaus.
1931: nasce Renate.
Laura pesquisa a alimentação e o desmame: origem do conceito de resistência oral. Um saber localizado e encarnado (Haraway, 1988).
1936, Marienbad: Fritz apresenta no Congresso Internacional de Psicanálise uma ampliação das anotações de Laura.
“Fritz ampliou minhas anotações numa conferência que fez no Congresso Internacional de Psicanálise, em 1936, em Marienbad, e elas foram publicadas na seção ‘Metabolismo mental’ de Ego, fome e agressão.”
L. Perls, 1992/2004, p. 45
“Eu uso a palavra desestruturação no lugar, porque destruição sempre implica algum tipo de hostilidade.”
L. Perls, 1992/2004, p. 44
Parte I · Territórios
Exílio e a crítica à psicanálise
Holanda · 1933 — Joanesburgo · 1934
1933: com a ascensão de Hitler, a família foge para a Holanda e vive na miséria num campo de refugiados.
1934: Joanesburgo, África do Sul, por indicação de Ernest Jones, que ajudava analistas judeus perseguidos.
Laura aprende inglês em três meses e escreve em inglês mais depressa que Fritz (p. 51).
Prática psicanalítica bem-sucedida e independente, sem filiação a nenhum grupo.
Três críticas que virarão princípios: a duração sem mudança, o tédio como ausência de contato e o divã como proteção contra o encontro.
A troca do divã pelo face a face nasce dessa crítica.
“Descobrimos que o enfoque estritamente psicanalítico era, em muitos casos, insuficiente e, muitas vezes, não terminava nunca. [...] Este fala para a parede, e o terapeuta se senta atrás dele; nunca se veem cara a cara; afinal, não é um contato pessoal.”
L. Perls, 1992/2004, p. 46
Parte I · Territórios
“Presa” na África do Sul; “a esposa de um psicanalista”
Joanesburgo
Laura e Fritz Perls
Laura e Fritz Perls
Laura viveu a África do Sul como aprisionamento: ambiente provinciano, falta de pessoas afins, política tensa.
Dentro do limite, encontrou recursos: livros, um piano de cauda, música, escrita.
Na clínica, diálogo face a face e consciência corporal; respiração, postura, coordenação e voz “já em 1930” (p. 177).
No início do casamento, os dois tinham nível semelhante e trabalhavam as ideias juntos; a dificuldade veio nos Estados Unidos (p. 54).
“Comecei a usar os diálogos face a face e a consciência corporal no trabalho; escrevi contos e poemas. Fritz e eu começamos a escrever o livro que se tornou Ego, Hunger and Aggression.”
L. Perls, 1992/2004, p. 233
“A primeira pergunta foi: ‘O que se sente ao ser a esposa de um psicanalista?’. Eu realmente não podia responder, porque eu também sou psicanalista.”
L. Perls, 1992/2004, p. 53–54
Parte I · Territórios
Sobrecarga, perdas e interseccionalidade
Joanesburgo
Laura acumulava casa, criação da filha, gestão financeira e clínica, e lidava com o comportamento lascivo de Fritz.
Sofreu um aborto espontâneo e entrou em depressão; não há registro de pesar de Fritz pela perda.
1935: nova gravidez. Fritz sugeriu aborto; Laura recusou e prometeu assumir sozinha a criação. Nasce Stephen (Castanedo, 2004, p. 9).
A mulher pode ter sua vontade, desde que arque sozinha com o ônus.
Mesmo com empregados, a sobrecarga era imensa. Uma funcionária lhe disse: “o que você faz? Você só se senta e conversa”.
Raça e classe se cruzam com o gênero: oprimida na Europa como mulher judia, Laura ocupava, na África do Sul colonial, também o lugar de quem oprimia.
1939: publica em Joanesburgo “Como educar as crianças para a paz” (p. 73).
1947: Laura chega aos Estados Unidos com os filhos (Wysong, 2004, p. 17).
Parte I · Territórios
Ego, fome e agressão: como o livro foi escrito
Joanesburgo · 1942
Primeiro livro da linhagem gestáltica, publicado em 1942 na África do Sul, só com o nome de Fritz (p. 177).
Sua base é a pesquisa de Laura sobre agressão oral, desestruturação e assimilação.
Escrito nos fins de semana: Fritz servia no exército, em Potchefstroom; durante a semana, Laura sustentava a casa, os filhos e a clínica.
“Era, principalmente, trabalho de fim de semana, porque Fritz estava no exército nos anos em que trabalhamos em Ego, fome e agressão.”
L. Perls, 1992/2004, p. 51
Parte I · Territórios
Ego, fome e agressão: a contribuição de Laura
Joanesburgo · 1942
O método se chamava “terapia de concentração”, em oposição à “terapia de associação” (p. 51).
Laura escreveu dois capítulos, sobre a gestalt fixa e a gestalt incompleta: pilares da Gestalt-terapia.
“Minha contribuição consistiu em dois capítulos de tendência gestáltica: ‘O complexo falso’, que trata da gestalt fixa que nos impede de mudar, e ‘O significado da insônia’, que trata da gestalt incompleta ou inacabada, o assunto pendente que não nos deixa dormir.”
L. Perls, 1992/2004, p. 177
Parte I · Territórios
Uma virada de enfoque e o “nós” de Laura
Joanesburgo
Com Ego, fome e agressão, o enfoque muda:
do histórico-arqueológico de Freud ao existencial-experiencial;
da associação ao holístico;
do verbal ao organísmico;
da interpretação à consciência atual;
da transferência ao contato real;
do ego como substância com limites ao ego como função (p. 177).
No prefácio, Fritz agradece “sobretudo” à esposa,” A dedicatória a Laura foi retirada nas edições seguintes. Ser agradecida como esposa não é o mesmo que figurar como autora.
“O trabalho era continuamente comentado entre nós, de modo que não consigo lembrar quem pensou primeiro. [...] Primeiro fomos Fritz e eu, na África do Sul, com Ego, fome e agressão, em que eu colaborava em tudo.”
L. Perls, 1992/2004, p. 50
Parte I · Territórios
Nova York: Goodman e o grupo
Nova York · 1947
1947: Laura chega, instala os filhos e começa a atender imediatamente, já face a face.
Paul Goodman, seu paciente e interlocutor mais importante: sem ele não haveria teoria coerente (p. 46).
Aceita “na turma dos meninos” como intelectual, Laura via esquecida sua condição de mulher (p. 60).
O grupo de formação foi iniciativa de Laura; reuniões na sala dela; única mulher do grupo fundador.
Laura queria chamar sua prática de “terapia existencial”; “Fritz ou Paul” sugeriram Gestalt-terapia (p. 45–46).
“Para mim, Paul Goodman foi o mais importante, porque foi o único que me estimulou em direções nas quais eu nunca tinha ido.”
L. Perls, 1992/2004, p. 53
Parte I · Territórios
Nova York: o Instituto
Nova York · 1952
1951: Gestalt Therapy (Perls, Hefferline e Goodman). 1952: Instituto de Nova York.
Laura não queria participar: tinha clínica, casa e filhos. Vieram 40 pessoas, “ele ficou com vinte e eu com as outras vinte” (p. 66).
Presidente do Instituto pelo resto da vida; tudo acontecia em sua casa; ela atendia ligações, fazia entrevistas iniciais e respondia cartas (p. 66).
“Ele criava; não desenvolvia nem organizava. Sem o apoio constante dos amigos e o meu [...], Fritz não teria escrito uma única linha, nem jamais teria fundado nada.”
L. Perls, 1992/2004, p. 65
02
Parte II
Travessias
Re-pare: com quantos fios se tece a violência de gênero?
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Parte II · Travessias
Re-parar: o apagamento
Re-parar é olhar de novo, com calma, e restaurar as tramas esgarçadas da história (Diniz & Gebara, 2022).
As publicações sobre o advento da Gestalt-terapia pouco destacavam o nome de Laura; os créditos iam para o marido (Bocian, 2015).
As anotações de Laura chegaram à conferência de 1936 e a Ego, fome e agressão, mas seu nome não consta da obra.
“Mordaças sonoras” (Patto, 2022): a repetição do discurso do opressor silencia as vozes femininas.
Parte II · Travessias
Re-parar: o patriarcado e os mitos
O patriarcado é o horizonte que organiza o que é possível ser, saber e existir, e está na raiz dos mitos fundacionais.
Prometeu roubou o fogo e virou herói; Eva comeu o fruto e virou vilã (Polster, 1992).
Em 1949, Laura já relia o mito da Queda e a “inveja do pênis” como inveja da singularidade e da independência (p. 85–86).
“[...] representa um fardo muito grande para a mulher, deixando-a para trás com as tarefas animais da reprodução e do cuidado das crianças. A mulher continua ligada ao sexo, isto é, ao pecado.”
L. Perls, 1992/2004, p. 85
Parte II · Travessias
Controle do corpo e saber-poder
O sanatório aos 16 anos e a gravidez de Steve sob promessa de criação solitária: o controle do corpo e das decisões femininas.
Saber e poder são indissociáveis (Foucault, 2023): um saber médico e psicológico definiu a mulher como passiva e irracional.
Laura não figura como autora da obra fundadora; Hefferline, da academia e não Gestalt-terapeuta, é coautor.
“As pessoas educadas para a obediência cega [...] tornam-se facilmente vítimas de qualquer um que assuma o comando.”
L. Perls, 1992/2004, p. 76
Parte II · Travessias
Trabalho invisível
Divisão sexual do trabalho (Federici, 2017): Laura trabalhava de dez a treze horas por dia, cuidava da casa, dos filhos e do Instituto, e revisava os manuscritos póstumos de Fritz.
Quem publica? Quem é citado? Quem ocupa as reitorias e as editoras?
“Não se pode pagar nem premiar a entrega sem limites de pais, nem a dedicação de uma vida inteira a uma causa nobre; só se pode aceitá-la, e nem sequer é preciso reconhecê-la.”
L. Perls, 1992/2004, p. 114
Parte II · Travessias
Epistemicídio, naturalização e desobediência
Opressão e privilégio podem se tecer no mesmo corpo: reconhecer isso não abranda a violência de gênero; acrescenta camadas.
Trabalhar fora de casa não emancipa; sobrecarrega (hooks, 2023).
Epistemicídio (Carneiro, 2005): o nome existe, mas é esvaziado de poder como sujeita epistêmica.
Saberes localizados (Haraway, 1988): a pesquisa de Laura nasceu da amamentação.
A naturalização, inclusive por ela: “satisfeita em deixar a glória para ele”. Ponto cego ou estratégia de sobrevivência ?
Introjetos ensinaram às mulheres que não é adequado se colocar em evidência.
A norma é a forma repetida e naturalizada do campo (Gimbo, 2021).
Viver na fronteira: o título do livro também fala da experiência de Laura.
Desobedecer é inventar a vida (Diniz & Gebara, 2022).
03
Parte III
Trajetórias
O que a Gestalt-terapia deve a Laura
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Parte III · Trajetórias
O que a Gestalt-terapia deve a Laura
Pela formação de Laura chegaram à Gestalt-terapia o método fenomenológico, a teoria organísmica de Goldstein, a dimensão existencial de Buber e Tillich e a abordagem corporal.
Gestalt é “uma entidade estruturada que é mais que, ou diferente do conjunto de suas partes”, “uma figura que se destaca sobre um fundo” dinâmica figura- fundo (p. 175).
Leituras indispensáveis, para Laura: Wertheimer, Lewin e Goldstein (p. 176).
De Reich: tensões musculares e caráter. “O caráter é uma Gestalt fixa”; o estilo, ao contrário, evolui (p. 48).
“O costume de nos centrarmos na consciência do corpo não foi incorporado à Gestalt-terapia por meio do trabalho de Reich, mas deveu-se à minha experiência com a eurítmica e a dança contemporânea [...]. Trabalhar com a respiração, a postura, a coordenação, a voz, a sensibilidade e a flexibilidade passou a fazer parte do meu estilo terapêutico já em 1930.”
L. Perls, 1992/2004, p. 176–177
Parte III · Trajetórias
Práticas corporais e uma formação que é suporte
Eurítmica e dança coral, desde os oito anos (p. 190).
Técnica Alexander, de reeducação postural (p. 176).
Método Feldenkrais: consciência corporal e mobilidade por movimentos sutis e intencionais (p. 176).
Ludwig Klages: estudos do movimento expressivo (p. 176).
Dança e ginástica, mas não balé clássico, cuja meta é a beleza, não o suporte (p. 193).
Filosofia oriental: “Todos tomamos coisas da filosofia oriental e de seu enfoque holístico” (p. 61).
Holismo: o organismo total, e não só a voz, o verbo ou a ação (Ginger, 2007).
Cada elemento integrado na personalidade se torna suporte para o trabalho: quanto mais amplo o contexto, mais recursos.
“Trabalho muito com a consciência corporal [...] porque estudei música, eurítmica, dança contemporânea, os métodos orientais que se baseiam no corpo, o existencialismo tanto ocidental como oriental, conheço vários idiomas e a literatura de vários países.”
L. Perls, 1992/2004, p. 171
Parte III · Trajetórias
Ser um corpo
O corpo não é algo a ser usado: é o próprio sistema de suporte que possibilita a consciência e o contato. Nobody x somebody
Laura desenvolveu a questão do suporte corporal para o contato (Frazão, 2013).
“Na verdade, o objetivo é ser um corpo. [...] quando você é um corpo, quando se sente como um corpo, então você é somebody (alguém). A língua sabe o que diz. E quando não tem isso, é muito fácil sentir-se um nobody (ninguém).”
Perls, 1992/2004, p. 61
“A maior parte do suporte, no movimento e no funcionamento, vem do modo de me sustentar no chão e da respiração.”
Perls, 1992/2004, p. 43–44
“Crie um respaldo para você mesma. A maioria das pessoas só pensa na frente, em criar uma boa fachada.”
L. Perls, 1992/2004, p. 223
Parte III · Trajetórias
Fixações e couraça: o automático
O automático economiza energia e só se torna bloqueio quando deixa de servir de apoio.
Do corpo presente à memória, e não o inverso.
Maneirismos: truques automatizados, “exageros sem proporção com o contato que deveriam apoiar” (p. 118).
Toda interferência adquirida passa pelo sistema muscular voluntário (p. 44).
“Mas a fixação não está no passado; ela existe agora mesmo nas tensões dos músculos, nos padrões automáticos e habituais de comportamento e nas atitudes sociais que adotamos e que também se tornaram automáticas.”
L. Perls, 1992/2004, p. 164
Parte III · Trajetórias
Fixações e couraça: o passado está no músculo
A tensão nas costas e no diafragma é “a forma mais importante de controlar-se a si mesmo” (p. 191).
Mandíbula, tórax, ombros: o corpo registra introjeções, contenções e retroflexões.
A couraça não é só individual: é social e de gênero. A suspensão da respiração pode ser reação “à exigência de se controlar” (p. 180).
“Se você consegue dizer ‘estou me tensionando, estou ficando rígido, estou prendendo a respiração’, então pode experimentar alternativas. Muitas vezes as lembranças aparecem.”
L. Perls, 1992/2004, p. 49
Parte III · Trajetórias
Experimentos: corpo, voz e ritmo do contato
01
O ritmo do contato nas próprias mãos. Aproxime as palmas até o toque, permaneça e afaste. Mantenha um minuto sem mover. Afaste o máximo. Uma mão conduz e a outra acompanha; depois troque.
02
Fechamento. O que você percebeu? Só depois: o que isso significa?
“La voz prolonga la exhalación.” / “A voz prolonga a expiração.”
L. Perls, 1992/2004, p. 198
Parte III · Trajetórias
O contato é uma atividade; a fronteira
O contato não se “tem” nem se “mantém”: tocamos e depois nos afastamos.
Tempo demais leva à confluência; distância demais, ao isolamento.
Aisthesthai (grego, “estar ciente”): voz média, nem só ativa nem só passiva. No contato, somos afetados e agentes.
“Estar em contato” é um estado que conduz à indiferença; “estabelecer contato” supõe estar desperto e alerta (p. 116).
A fronteira é o lugar da emoção, do interesse, do medo e da hostilidade; é ali que se está consciente e que há incerteza (p. 184).
Limites rígidos: personalidade obsessiva. Limites mal definidos: introjeção e projeção (p. 159–160).
“O contato não é um estado, mas uma atividade com ritmo próprio: tocamos e depois nos afastamos. Fazemos contato reconhecendo o outro e lidando com ele e, ao fazê-lo, experimentamos a nós mesmos.”
L. Perls, 1992/2004, p. 169
“A flexibilidade do limite é o continuum da consciência.”
L. Perls, 1992/2004, p. 159
Parte III · Trajetórias
A criança na fronteira
A criança vive no limite: olha, toca, explora; brinca a sério, num ajustamento criativo.
A educação “normal” interrompe esse processo, e o resultado é a autointerferência: a armadura que define o que chamamos de “normal” (p. 167).
“‘Não faça isso, não toque naquilo, não me responda, não seja chorão, comporte-se, controle-se’ etc. O resultado é a autointerferência, as tensões e contrações musculares que Wilhelm Reich identificou como a armadura da personalidade.”
L. Perls, 1992/2004, p. 167
Parte III · Trajetórias
A confluência no casal e o continuum de awareness
No casal em confluência, o mais forte se expressa; o mais fraco se rende e cala quando discorda.
“O conformismo e o rancor são duas faces da mesma moeda: a dependência” (p. 169).
O continuum de awareness é a formação contínua de gestalten (p. 158–159); não é pular de uma percepção a outra.
Interrupções do contato: introjeção, projeção, retroflexão, confluência e deflexão.
“O mais fraco se rende, cala quando discorda e acaba sentindo rancor [...]. Essas são precisamente as características típicas da maioria dos casais: o rancor e o tédio.”
L. Perls, 1992/2004, p. 168
“Você se concentra nas gestalten fixas e em como você as fixa.”
L. Perls, 1992/2004, p. 52
Parte III · Trajetórias
Suporte: externo e autossuporte
Suporte externo (relações, segurança material, apoio social) e autossuporte.
Para Laura, suporte é tudo o que favorece assimilação e integração numa pessoa, numa relação ou numa sociedade: respiração, postura, linguagem, hábitos e, sobretudo, complexos e resistências.
Qualquer falta de suporte essencial é vivida como ansiedade.
“O contato só pode ser bom e criativo quando existe o suporte necessário para permiti-lo. Qualquer deficiência de suporte essencial é vivida como ansiedade.”
L. Perls, 1992/2004, p. 170
Parte III · Trajetórias
Suporte: figura e fundo com o contato
Contato e suporte formam figura e fundo; não são uma dicotomia (p. 115).
O que foi reprimido ou introjetado não apoia: bloqueia. “A função mais importante do apoio é a respiração” (p. 116).
Funções do suporte: equilibrar a experiência, regular as emoções, dar segurança ao contato.
“Quando falo de suporte, não me refiro tanto ao carinho e à sensação de segurança que o terapeuta oferece [...], mas ao autossuporte do qual o paciente (ou o terapeuta) depende, ou que lhe falta.”
L. Perls, 1992/2004, p. 179
Parte III · Trajetórias
Estilo
O caráter é uma gestalt fixa; o estilo evolui.
O objetivo da terapia não é adaptar à norma, mas desenvolver um estilo.
Uma pessoa com estilo “pode ser anarquista, pintor ou poeta, homossexual ou vagabundo. Mas uma pessoa que tem estilo não vem à terapia” (p. 179).
“O estilo é uma forma única de estabelecer contato que se apoia em padrões de comportamento totalmente assimilados e integrados. [...] o objetivo da terapia é estabelecer e desenvolver um estilo, isto é, uma forma integrada e integradora de se expressar e de agir.”
L. Perls, 1992/2004, p. 118
Parte III · Trajetórias
Linguagem
A língua materna dá segurança; frases feitas “suprimem a consciência” (p. 120–121).
Substantivos classificam; verbos indicam participação ativa (p. 122).
Eixo Eu-Tu e eixo Eu-Isso, em diálogo com Buber (p. 122–123).
“[...] costuma haver mais contato quando se usa o Eu: ‘Eu tenho fome’ em vez de ‘Há um vazio no meu estômago’. [...] A tendência a generalizar evita a responsabilidade do indivíduo.”
L. Perls, 1992/2004, p. 122
Parte III · Trajetórias
Ansiedade
A ansiedade não é um distúrbio a eliminar: é sinal da relação da pessoa com o ambiente e consigo mesma.
Surge quando a excitação não encontra suporte para virar ação: respiração curta, aperto no peito, postura encolhida.
O caminho não é reduzir o contato, mas ampliar o suporte, a começar pela respiração.
“Sentimos ansiedade quando tomamos consciência de que a função de contato e a do suporte não estão no mesmo nível. A falta de oxigênio produz o protótipo da ansiedade.”
L. Perls, 1992/2004, p. 116–117
Parte III · Trajetórias
Medo e vergonha
Medo: contato com um perigo identificável; medo e coragem são a mesma experiência. Ansiedade: surge quando a confluência é ameaçada, diante de algo indefinido (p. 153).
Da confluência ao contato: sem orientação, ansiedade; orientação pela metade, vergonha, culpa e pânico; orientação completa, coragem (p. 155).
A vergonha acompanha o crescimento: quem não foge dela descobre novas atitudes de suporte (p. 142).
“Aprendi a viver com a incerteza sem a ansiedade” (p. 180).
“A vergonha surge inevitavelmente quando, depois da emoção do primeiro contato com qualquer experiência nova, tomamos consciência de que nos falta suporte.”
L. Perls, 1992/2004, p. 141
“Sentir-se incômodo ou constrangido é potencialmente criativo; é a sensação momentânea de desequilíbrio que experimentamos no limite do crescimento, com um pé em território conhecido e o outro em território estranho.”
L. Perls, 1992/2004, p. 180
Parte III · Trajetórias
Agressão e assimilação
Aprendemos, crescemos e nos relacionamos do mesmo modo como comemos.
Introjetar é engolir inteiro: para Laura, um aprendizado limitado, próprio das etapas mais precoces da vida (p. 44).
Aprender é desestruturar (morder, mastigar) e reestruturar (assimilar).
A agressividade não só destrói: constrói.
“Tudo já vem mastigado de antemão; enfiam na cabeça das crianças as coisas meio digeridas, e elas as engolem antes das provas e as vomitam nos exames.”
L. Perls, 1992/2004, p. 194
“A agressividade não é apenas uma força destrutiva: é a força que impulsiona todas as nossas atividades e sem a qual não conseguiríamos fazer nada.”
L. Perls, 1992/2004, p. 78
Parte III · Trajetórias
Resistência
Toda resistência foi originalmente uma assistência (p. 48).
Quando se automatiza, a resistência vira “sou assim, sempre fui assim” (p. 185).
A Gestalt-terapia não quebra resistências: desautomatiza, e o beco sem saída se torna um conflito atual que podemos enfrentar (p. 161).
“Originalmente, a resistência foi uma ajuda para alguma coisa. Ajudou a quê? Para que servia? O que fez por você?”
L. Perls, 1992/2004, p. 50
04
Parte IV
Clínica e política
O terapeuta é seu melhor instrumento
slides 44 a 51
Parte IV · Clínica e política
O processo terapêutico
O terapeuta é seu melhor instrumento; a Gestalt-terapia não é um punhado de técnicas.
Tudo o que existe, existe agora: o passado vive nos hábitos e nas gestalten fixas (p. 163, 175).
“Como?” e “o quê?” antes de “por quê?”.
Os problemas estão embutidos no óbvio: trabalhar com coisas pequenas, a passos pequenos (p. 200).
Aceitar o paciente como ele se apresenta e concentrar-se no que há (p. 146).
“A terapia também é uma arte. Tem mais a ver com a arte do que com a ciência. [...] Ser artista supõe funcionar de maneira holística, e ser um bom terapeuta supõe o mesmo.”
L. Perls, 1992/2004, p. 58
Parte IV · Clínica e política
A relação terapêutica
Revelar ao paciente só o que o ajuda a dar mais um passo (p. 148).
Não castigar: as resistências do paciente são seu “único apoio” (p. 149).
O toque se justifica pela função de ampliar a consciência, nunca pela regra (p. 150).
“Na Gestalt-terapia existem tantos estilos quanto terapeutas e pacientes”
“Descrever é mais importante que explicar; experimentar é mais importante que interpretar.”
L. Perls, 1992/2004, p. 127
Parte IV · Clínica e política
Dois casos clínicos: Claudia e Walter
Casos publicados em 1956: diagnósticos semelhantes, procedimentos diferentes. A neurose como falta de coordenação entre as funções de suporte e de contato (p. 127).
Claudia, 25 anos.
Voz dura, cabeça para a frente, desafio na primeira frase. Laura reconhece o padrão pela própria reação. O trabalho com a voz e a respiração revela a dupla identificação com o pai e a mãe. A coragem fingida era uma “ficção de masculinidade” (p. 134). Ao final, “uma mulher emancipada” (p. 136).
Walter, 47 anos.
Curvado, sorriso de desculpa, voz monótona. A reação de tédio da terapeuta é o dado clínico. O trabalho começa pelo encolher de ombros (p. 141).
Trabalha-se o presente (voz, respiração, gesto, reação da terapeuta), e a história aparece.
“Tudo o que eu precisava [...] era dar-me conta da minha própria reação ao seu comportamento.”
L. Perls, 1992/2004, p. 131
Parte IV · Clínica e política
Laura e Fritz: dois modos de fazer Gestalt-terapia
Laura
ritmo suave, encontro dialógico, contato e relação, trabalho minimalista.
Fritz
intuição, apresentações performáticas, confrontação, técnicas espetaculares (Juliano, 2004).
Para Laura, a cadeira quente e a cadeira vazia são uma “associação livre dramatizada” (p. 52).
A tensão é energia a ser disponibilizada, não aliviada (p. 175).
As “grandes emoções” entram e se perdem; o trabalho minimalista é assimilado e retido (p. 225–226).
Os discípulos criaram uma onda de anti-intelectualismo (p. 67–68).
No Brasil, a clínica se parece mais com o estilo de Laura, e ainda assim falamos em “Gestalt de Fritz”.
“Imitar seu método e chamá-lo de ‘a técnica terapêutica’, sem levar em conta as necessidades e limitações que existem na situação atual, é superficial, simplista, mecânico, manipulador e carece de autenticidade.”
L. Perls, 1992/2004, p. 166
Parte IV · Clínica e política
A terapia como trabalho político
Política, para Laura, é ajudar as pessoas a se desvencilhar das confluências da maioria.
Qualquer trabalho intensivo com pessoas é um ato político, “começando pelo ensino” (p. 57).
“Se você trabalha com as pessoas tentando fazer com que consigam pensar de forma independente e se desvencilhar das confluências da maioria, faz um trabalho político que vai se estendendo.”
L. Perls, 1992/2004, p. 55–56
“A Gestalt-terapia é um processo anárquico, no sentido de que não segue regras ou normas preestabelecidas. Não pretende adaptar as pessoas a nenhum sistema, mas tenta adaptar a pessoa ao seu próprio potencial criativo.”
L. Perls, 1992/2004, p. 56
Parte IV · Clínica e política
Os textos: educar para a paz, o mito do sofrimento, dar e receber
1939
educar para a paz
a obediência cega e a agressividade reprimida explicam a adesão ao fascismo; é preciso educar com a agressividade (p. 76–79).
1949
o mito do sofrimento
há o sofrimento neurótico e o sofrimento criativo, como “as dores do parto, a angústia do artista, as dúvidas do cientista” (p. 91).
1953
dar e receber
o sacrifício interpessoal compra apreço e esgota quem o faz (p. 111).
1950
 
terapeutas sociais precisam de “uma cultura ampla e profunda” (p. 103).
Parte IV · Clínica e política
Finitude, criatividade e compromisso
O problema básico da vida é tornar a vida vivível para quem se sabe único e mortal (p. 151).
“Mantemo-nos vivos estabelecendo contatos vivos” (p. 222).
Toda teoria, incluindo a Gestalt, é uma hipótese guia, que pode virar gestalt fixa (p. 158).
A mulher das dunas: ao aceitar os limites, as possibilidades se realizam e os limites se alargam.
Na vida de Laura: a tese concluída em 1932, a África do Sul, o Instituto. “As escadas de corda estão postas e eu entro e saio” (p. 234).
“A verdadeira criatividade está estreitamente ligada à consciência da mortalidade. [...] É isso que transforma o sexo em amor; as massas em sociedade; o trigo em pão e a fruta em vinho; e o som em música.”
L. Perls, 1992/2004, p. 152
“Vejo que o deserto está cheio de flores e sinto que recebi uma rica recompensa.”
L. Perls, 1992/2004, p. 236
Parte IV · Clínica e política
Legado: do fundo para a figura
Laura Perls
Laura Perls
Após a morte de Fritz, em 1970, autores passaram a destacar as contribuições de Laura; em 1980, The Gestalt Journal dedicou-lhe um número especial (Castanedo, 2004, p. 12).
Durante quatro décadas, formou profissionais na América do Norte e na Europa (Wysong, 2004, p. 17).
Morreu em 13 de julho de 1990, em Pforzheim, a cidade onde nasceu (Castanedo, 2004, p. 9).
Seu legado vive nos gestos clínicos: integração corpo e mente, presença, autenticidade do encontro.
No Brasil, muitas mulheres implementaram a abordagem; Jean Clark Juliano (1992) apresentou Laura à comunidade.
Trazer Laura do fundo para a figura.
“Laura Perls preferia o intercâmbio direto à palavra escrita.”
Wysong, 2004, p. 17
Laura Perls
Laura Perls:
territórios, trajetórias e travessias
“Desobedecer é inventar a vida” (Diniz & Gebara, 2022).
“É preciso valorizar e honrar as raízes para continuar criando asas! Movimento contínuo de tradição e transgressão” (Nilton Bonder).
Vanessa dos Santos Silva Brito
@vanessabrito.psi